sexta-feira, julho 24, 2009

x 2


15 minutos de diferença e um mundo inteiro de afinidades.
É difícil explicar, e muito mais para mim que sou filha única, uma relação especial como esta.
Para além das evidentes parecenças físicas - hoje em dia já não tão óbvias devido aos óculos e bigode que o meu pai mantém -, há uma semelhança quase assustadora nos gestos, na postura, nos feitios, nos gostos e em tantas coisas que dificilmente consigo descrever.
É toda uma cumplicidade que se sente e não se sabe explicar.
Hoje celebram mais um aniversário.
Naturalmente, vão estar juntos... é que esta foto velhinha e ternurenta há-de estar sempre actual.
Parabéns às "minhas lindezas" da Rua do Adro!

segunda-feira, julho 20, 2009

I'll be around.

Se recuar no tempo mais ou menos cinco anos, recordo um final de noite num sofá do passado e o "Irreversível" no leitor de DVD. Sei que me levantei num pulo, surpreendida com a violência daquele ataque de pânico em particular. Há largos meses que os intervalos entre cada um vinham a diminuir. Corri para a casa-de-banho e, como de costume, molhei a cara, olhei de frente para o espelho e tentei respirar fundo. Nesse momento, peguei no telefone e pedi ajuda.
Lembro-me de, dias depois, entrar naquele pequeno espaço sóbrio, com móveis escuros e uma janela entreaberta. Ainda não tinham acabado de me fazer a primeira pergunta, já as lágrimas corriam cara abaixo. Meia hora depois, um breve telefonema.
No espaço de minutos a porta abriu-se e entrou um homem alto, imponente, cabelo grisalho e postura aterrorizadoramente segura. Encolhi-me o mais que consegui. Dei por mim a gravar na memória pormenores como as letras azuis bordadas com letra de escola primária, que sobressaíam em todo aquele tecido branco. Fixei o sorriso provocador e as abordagens incisivas e dolorosas.
Demorei tempo a perceber o porquê do alívio cada vez que voltava. E fui voltando. Mesmo quando sabia que de alguma forma, não o devia fazer.
Mas há pessoas que ganham um passe de livre trânsito pelos nossos pensamentos, desejos, frustrações, angústias, curiosidades ou medos. Mesmo quando nos esfregam na cara aquilo que de pior temos... (talvez porque dessa forma nos obrigam a ver e aceitar aquilo que somos...).
Imagine-se lá, que até nos fazem sentir orgulhosos por sermos assim! Com alguma consciência do desafio que isso representa, mas também com uma maior percepção da infinitude de opções que a vida oferece se não tivermos medo de a viver.
Pessoas assim, fazem-nos sentir um bocadinho especiais quando nos dão um bilhete de acesso - ainda que condicionado - a um pouco daquilo que são.

Dentro do possível ... amigos até ao fim?

Das mini-férias a Sul

A praia de eleição: Comporta.
A primeira vez que vi a minha prima actuar ( a artista da esquerda).
Em Serpa, numa noite alentejana em que os Deuses Gregos se explicaram aos mortais.
Um dos muitos banhos de mar.
A Princesa das princesas.
A despedida: Praia do Pego

domingo, julho 19, 2009

French word for...

Mais do que um traço.
Um "guilty pleasure"?
Um vício?

segunda-feira, julho 13, 2009

And now, what?????

sexta-feira, julho 10, 2009

Yesterday's lullaby

quarta-feira, julho 08, 2009

? #3#

A casa onde vivo é a casa que escolhi. Sóbria à excepção do verde-alface das cadeiras da sala e das toalhas de uma das casas-de-banho. As paredes são brancas e, tirando as marcas de um ou outro encontrão, estão ainda despidas de quadros.
Em menos de meia dúzia de anos, consegui colar-lhe muitos momentos.
Resta-me saber quais os que quero acrescentar.

sexta-feira, julho 03, 2009

03/07/09

O acontecimento não tinha hora marcada mas tinha local e dia certos. Seria daqueles dias que marcam a vida para sempre. Um dia em que, de alguma forma, se partilharia a alegria e o orgulho pela sensação de ter sido atingida uma das grandes etapas. Seria a continuação do que se vinha construindo, agora com mais proximidade.
Mentalmente iam-se riscando os dias no calendário enquanto, inconscientemente, se ia idealizando o momento: o abraço apertado; o beijo sentido; o sorriso aberto e a noite partilhada.
O momento chegou. Não faltam anos, nem meses, nem dias. É hoje. Está a ser hoje. E não há palavras para descrever o sentimento de ausência. A sensação de ter sido roubado um momento que nos pertencia; que era certo, justo e merecido. Fica apenas a memória do que podia ter sido... fica o filme a preto e branco de um sonho feito de luz que se tornou sombra.

quarta-feira, julho 01, 2009

? #2#

Inevitavelmente, quando por algum motivo a nossa vida sofre uma alteração, todo um novo mundo se pode abrir à nossa frente. Um mundo de opções que até aí, ou nem sequer nos havia passado pela cabeça, ou mesmo que passasse, se afigurava relativamente improvável. Dei comigo a pensar nisso hoje mesmo...

Optando pelo seguro, poderia traçar o percurso tradicional: de enamoramento, tranquilidade e previsibilidade. Mãe de 2 ou 3 filhos que rapidamente se tornariam a grande preocupação e centro da vida. Com um marido/companheiro dedicado ao trabalho, enquanto eu faria da profissão um quase hobby. Algo que apenas alimentasse a ilusão de que havia vida para além daquele núcleo que centralizava todas as alegrias e frustrações. Com jantares e eventos familiares aos quais compareceria religiosamente de sorriso estampado. Com férias sensaboronas, passadas invariavelmente no mesmo sítio, onde ano após ano se encontravam as mesmas pessoas e se tinham as mesmas conversas. E teria uma vida sem sobressaltos; um companheiro ao meu lado que, se fosse sortuda, teria a capacidade de me desafiar e de alguma forma, apimentar uma relação tendencialmente perfeita. A mulher que, aos 50 anos, eventualmente, se torna azeda ao pensar em tudo o que sacrificou em prol dos princípios que sempre achou serem os mais correctos e pelos quais norteou as suas escolhas.

Vi o oposto disto: vi-me livre, feliz comigo e com a minha independência. Senhora dos meus dias e das minhas noites. Sem dar contas a ninguém ou sem necessidade de cobrar a terceiros o que quer que seja. Dando a devida importância à carreira, dedicando-lhe o tempo e esforço que merece e que permite utilizar efectivamente os recursos de que disponho. Vi-me em viagens frequentes, para todos os destinos e com todos os propósitos. Com amigas, colegas ou mesmo sozinha e confortável com isso. Vi-me em concertos, livrarias e salas de espectáculos. Descontraída e sem pinga de ansiedade, saboreando o dia-a-dia sem projectar. Vivendo e aproveitando os encontros que a vida me for oferecendo.
Vi-me inteira, independente, capaz de amar em liberdade e capaz de, com a mesma liberdade que amei antes, deixar de amar e seguir um novo caminho.

Perspectivei ainda uma visão exagerada do último parágrafo. Alguém que procura o gozo superficial, imediato e inconsequente. Que troca de “amor” como quem troca de camisa. Que se entrega sem esperar nada e foge à primeira hipótese pois não tem nada para oferecer. A quem apenas basta ter alguém com partilhar momentos e a quem, depois do envolvimento fugaz, se bate com a porta e se vira as costas. Sem hesitações e sem grandes problematizações. Já com o pensamento direccionado no futuro e sempre com a profissão como refúgio e garantia de normalidade ou, pelo menos, de pertença à sociedade.

Fui ainda para outro extremo. E tentei ser a mulher que deixa de o ser. Que cala bem fundo o instinto e finge ser feliz, enquanto secretamente fantasia com o príncipe encantado. A sombra de mulher que acorda inundada em suores pelo sentimento de culpabilidade que um simples sonho lhe provoca. Que se penitencia todo o dia por invejar a coragem e atrevimento das mulheres à sua volta, mas que finge a cada minuto ser aquele um percurso que escolheu.

Espartilhei-me e vi a tontinha em que me posso tornar. A mulher castrada. Presa em si própria, que não se permite tentar por não aceitar sequer a hipótese do falhanço. Dominada pelo desejo de pertença ou por esperanças infundadas. Incapaz de se mover de onde está; de rasgar caminhos, arriscar e procurar a felicidade num mundo que vá para além daquele que já é conhecido. A mulher que não é capaz de viver por si e para si. Que espera encontrar no outro a resposta para todos as suas dúvidas e inquietações. Que fica miseravelmente dependente e incapaz de tomar uma atitude de ruptura por medo de se magoar ou de assumir o erro. A mulher que não se consegue libertar de todos os preconceitos que lhe foram enfiando na cabeça e que nunca questionou, assumindo-os como verdades insofismáveis.

Que mulher serei no futuro?