Naquela noite, Sofia estava especialmente encantadora com o seu blusão de ganga e o lenço vermelho enrolado ao pescoço. Estrategicamente, tinha escolhido roupa o mais parecida possível com a que usava quando ainda era estudante. Borrifou-se exageradamente de perfume e saíu de casa. Entrou no carro e foi seguindo as indicações atabalhoadas que as amigas lhe iam dando, entre gritinhos e gargalhadas. Lembra-se vagamente de estacionar o carro e aguardar que lhe abrissem a porta de casa. Nunca ali tinha estado. Era uma casinha simpática certamente, mas a única imagem que guarda até hoje, é a de João a deixar cair os talheres mal Sofia entrou na sala. Lembra-se ainda de o ver a saltar a janela da cozinha e da atrapalhação que não conseguiu esconder. Era sempre assim e no fundo Sofia adorava estes momentos.
Entre o jantar e o Parque, Sofia não tem grandes memórias. Não sabe porquê, mas quando pensa naquela noite, para além do jantar já só consegue rever o momento em que, finalmente, os dois ganharam a coragem que lhes vinha faltando há demasiado tempo, e pé ante pé, caminharam abraçados até à beira do Mondego.
Podia ter sido assim não podia? ;)