domingo, novembro 29, 2009
quinta-feira, novembro 19, 2009
5ª
Sentava-se de lado no sofá, virada para a rua. Se fosse Inverno cobria as pernas com a manta. No Verão apenas se encostava à almofada ou ao braço desconfortável do sofá. Apagava as luzes da sala: o candeeiro de pé e as luzes do tecto. Acendia as duas velas pequeninas que desde sempre ocupam o lado direito do aparador. Raramente deixava a tv ligada. Limitava-se a ficar ali a olhar para a rua por entre as frechas do estore semi-aberto. Via os carros a passar. As pessoas a entrarem nos prédios. As horas a arrastar-se. Os minutos. Os segundos.
Ao final da noite deixava que as lágrimas lhe corressem pela rosto em silêncio. Uma após a outra. Salgadas. Amargas. E calava fundo a dor que sentia por mais uma noite sem surpresas.
Hoje é quinta-feira.
Uma quinta-feira com sabor igual a outros dias de outras semanas.
quarta-feira, novembro 18, 2009
Peso sulle spalle
Ogni tanto la paura delle scelte sbagliate...passate, presenti e future.
Debolezza o testardaggine?
Debolezza o testardaggine?
sexta-feira, novembro 13, 2009
quarta-feira, novembro 11, 2009
Há mais ou menos 70 anos era assim.
Entretanto houve casamentos, filhos, netos, bisnetos, viagens e ausências, regressos, vidas reconstruídas, ensinamentos que foram passando de geração em geração, histórias de juventude contadas de sorriso nos lábios. Houve acima de tudo, amor incondicional.Os bisavós Antonieta e João. A Nã, o Tó, a Jatita, o meu avô A..
Desde ontem, resta apenas a Nã. A mais velha dos quatro irmãos.
Cada um que parte leva mais um bocadinho do meu avô.
Permanece o orgulho e a saudade.
terça-feira, novembro 10, 2009
4ª Mostra de Cinema Brasileiro

Sábado no São Jorge - e depois de ter falhado a edição de 2008 - voltei a deliciar-me com cinema brasileiro, na companhia da Princesa.
Não conhecia o trabalho do realizador Domingos de Oliveira ( que protagoniza os dois filmes) mas apesar da dificuldade na compreensão de algumas palavras e mesmo frases ( dicção cerrada, por vezes quase impossível de descortinar) gostei dos diferentes traços de sensibilidade de cada um.
O primeiro, Separações, retrata de uma forma que muitas vezes roça a comédia, a dicotomia de sentimentos da dinâmica nas relações. A loucura/desespero de alguém que pede "uma folga" para se aperceber mais tarde da asneira que fez.
As consequências que cada decisão tem na vida. Na nossa e na dos outros.
Memorizei uma frase que seria qualquer coisa como isto: " Se os ex-amantes não ficarem amigos, nada fará sentido".
A Juventude é um filme mais pesado. O reencontro de 3 amigos, jovens de espírito, que fazem uma espécie de balanço de vida. O que fizeram e o que fariam diferente. A hipocrisia masculina - que se pode dizer também sentido prático - patente numa das cenas finais: António tem um ataque cardíaco; enquanto recupera, avisa aos amigos: "se eu morrer diz p´ra Pink que ela foi a mulher da minha vida... se sobreviver liga pra Eugénia e diz que vou precisar de quem trate de mim".
A frase que mais gostei: "Acreditei e acredito até hoje que quando os corpos dos amantes se unem, a terra treme."
Fica o trailer do Juventude e um excerto do Separações.
sexta-feira, novembro 06, 2009
Everything you Know is wrong
Música perfeita para ouvir com o som no máximo, sem grande luz ou com os olhos fechados. Gritar a letra e abandonar o corpo a movimentos aleatórios. Aproveitando ao máximo o arrepio bom que vai percorrendo o corpo. Como fiz ontem mal cheguei a casa.
" And I have no compass
And I have no religion
" And I have no compass
And I have no map
And I have no reasons
No reasons to get back
And I have no religion
And I don't Know what's what
And I don't Know the limit
The limit of what we've got"
quinta-feira, novembro 05, 2009
terça-feira, novembro 03, 2009
domingo, novembro 01, 2009
Politicamente Incorrecto #1#
Quantas vezes já não nos questionámos acerca da aparente benevolência com que alguns juízes tratam a reincidência. Questionamos quase sempre o motivo por trás da compreensão para com determinados indivíduos. Invariavelmente, para quem é jurista como eu, vêm à ideia os ensinamentos académicos da necessidade de ponderação dos interesses em causa. Em regra, acabamos por achar quase tudo inquadrável na lógica da necessária proporcionalidade, razoabilidade e aceitabilidade que nos ensinaram a defender.
Mas depois, na nossa vida pessoal, podemos ser confrontados com um outro tipo de reincidência: "a reincidência nas asneiras". Seja ela activa ou passiva. E aí já nos é permitido chegar a um outro tipo de conclusão. E aceitar que determinados indivíduos jamais serão capazes do menor esforço pela via da "reabilitação".
Deixa de fazer sentido qualquer esforço mental para "colar a cuspo" os ditos ensinamentos académicos, tão lógicos e evidentes numa perspectiva meramente jurídica, mas notoriamente inconcebíveis e incredíveis em matéria de reincidência nas asneiras.
É que há quem denote manifesta incapacidade de arrepiar caminho: a tendência está-lhes no sangue.




