domingo, março 28, 2010
sexta-feira, março 26, 2010
O actual livro de cabeceira
A propósito do meu fascínio mais recente: a dinastia Tudor. Tentar compreender os dilemas de fé e de governação do rei que mandou decapitar duas das suas seis mulheres. Um homem capaz de viver paixões arrebatadoras e de desafiar o poder inquestionável da Igreja numa época em que da amizade ou inimizade do Papa dependia o futuro de uma Nação. Perceber quem foram os seus antepassados pela linha feminina e os papéis que desempenharam (entre rainhas-consorte, rainhas-troféu, rainhas-peão-de-jogos-de-interesse-estatal, rainhas-mães).
Ver na filha Elizabeth I a rainha das rainhas, que ironicamente perpetuou o legado da sua mal-amada mãe Ana de Bolena. Inteligência, perspicácia e uma capacidade governativa que acabaria por conduzir Inglaterra à "Golden Age".
Vou já no 5º livro acerca da matéria, entre romances históricos e biografias mais ou menos credíveis. Para além da natural admiração pela filha, cresce o interesse pela figura de Ana em detrimento das demais mulheres de Henrique VIII: a beata Catarina de Aragão, a insípida Jane Seymour, a rejeitada Anne of Cléves, a infiel Catherine Howard (fácil perceber que foi esta a segunda a perder literalmente a cabeça...) e a companheira-enfermeira dos últimos anos de vida Catherine Parr.
Na tragédia de Ana de Bolena, o simbolismo da pespectiva como era encarado o sexo feminino, espectacularmente retratado neste testemunho de Jonh Knox: "Por estas palavras é evidente que o Apóstolo queria dizer (em Coríntios 11) que a mulher na sua maior perfeição deveria ter sabido que o homem era o seu Senhor... na sua maior perfeição a mulher foi criada para ser súbdita do homem. Mas depois da sua queda e rebelião contra Deus, foi-lhe criada uma nova necessidade, e ela foi tornada súbdita do homem por uma sentença irrevogável de Deus, pronunciada com estas palavras: Vou fazer-te sofrer muito na tua gravidez; entre dores darás à luz os teus filhos; a paixão vai arrastar-te para o marido, e ele te dominará..." (in "As Rainhas Tudor", de David Loades).
Pobres as mulheres que ousavam pensar e não se davam ao trabalho de esconder que o faziam.
quarta-feira, março 17, 2010
segunda-feira, março 15, 2010
sexta-feira, março 05, 2010
Shame on me
Quem me conhece não hesita em atribuir-me como característica mais vincada, o traço inequívoco da ansiedade.
Nunca tal apontamente é feito como se de um elogio se pudesse tratar. O que eu percebo e aceito. E que faz o seu sentido.
Mas todos os afortunados que não foram premiados com este traço de personalidade, raramente compreendem a extensão ou os efeitos de tal "benção".
Aplicam o conceito automaticamente sem conhecer o seu alcance e os seus efeitos. Sem imaginar o quanto custa ultrapassar um ataque de pânico. Ou estar num sítio com a cabeça completamente ausente e a ideia persistente de que aquele momento vai acabar mais cedo ou mais tarde e assim sendo, pouca ou nenhuma utilidade tem. Ou não ser capaz de viver o que quer que seja sem o omnipresente temor da culpabilidade por algum gesto menos correcto: pelos pensamentos que não controlamos; pelos sonhos que não temos o condão de escolher ou por coisas tão insignificantes como as associações inconscientes que fazemos perante determinado cheiro, imagem ou som.
Ah claro... e há aqueles que certamente pensam que sou esquizofrénica. E a quem, ao contrário do que é hábito em mim, nem a mínima explicação consigo dar.
