Quando uma relação termina, há que fazer o luto pelo final de todos os momentos, sonhos, projectos e vivências que partilhámos com alguém.
Há que tentar digerir o distanciamento, a quebra de rotinas, a ausência do outro.
Há quem o faça rapidamente. Sem dilemas. Com a mesma naturalidade com que os rios correm para o mar.
Outros há, como eu, que dissecam tudo antes de arrumar a caixa.
É a experiência que tenho dos poucos relacionamentos que tive.
Do primeiro fiz luto pelo que não vivi e não pela perda da pessoa em si, pois já nos haviamos perdido um do outro há muito tempo.
Tenho uma dívida de gratidão eterna para com quem me deu coragem para dar este passo. Que não esqueço.
Do segundo, fiz um luto arrastado. Doloroso. Intenso. Combatido com algumas noites de copos, numa tentativa de anestesiar os sentidos que o viam e sentiam por toda a parte. Poderá não ter sido um luto longo, mas foi sério. Ancorei-me nas amigas, sobretudo. Que tinham acompanhado os dois anos de "relação" em que oscilei entre estados de euforia profunda e crises de choro e desespero. Que me deram a mão e puxaram de lá donde andava perdida em recordações de adrenalina.
Hoje recebi um e-mail pela manhã que me encheu os olhos de lágrimas. Lágrimas de alegria. De comoção acima de tudo.
Não que eu não soubesse já o que o e-mail me veio dizer. Mas por ser de quem era, tocou-me ainda mais. E encheu-me o dia.
Este luto também não farei sozinha.
Obrigada. Tu sabes.