quarta-feira, setembro 29, 2010
segunda-feira, setembro 27, 2010
Untitled #3#
Ando nesta coisa dos blogues já há quase 5 anos.
Começou por ser uma coisa partilhada com amigas mas aos poucos fui ficando "sozinha". "Apropriei-me" do blogue inicial à medida que o fui tornando uma espécie de diário encriptado, cheio de mensagens camufladas que só eu percebia (alguns dos posts chegam a ser, hoje em dia, verdadeiros enigmas para mim).
Criei o Glowing talvez por capricho de filha única, que não sabe dividir. Mas fez sentido e acho que continua a fazer.
Dá-me gozo escrever assim ainda que grande parte do que escrevo (aparentemente) não faça sentido.
Muitas imagens vão para além do que ficou gravado no cartão de memória da máquina. São "leituras" privadas. Quando muito perceptíveis em duo. Mas eu gosto. Gosto principalmente de recuar cinco ou seis meses, ou anos mesmo, e ver por onde andava a minha cabeça na altura. De recordar os momentos associados a textos de 30 linhas ou a frases isoladas.
Começou por ser uma coisa partilhada com amigas mas aos poucos fui ficando "sozinha". "Apropriei-me" do blogue inicial à medida que o fui tornando uma espécie de diário encriptado, cheio de mensagens camufladas que só eu percebia (alguns dos posts chegam a ser, hoje em dia, verdadeiros enigmas para mim).
Criei o Glowing talvez por capricho de filha única, que não sabe dividir. Mas fez sentido e acho que continua a fazer.
Dá-me gozo escrever assim ainda que grande parte do que escrevo (aparentemente) não faça sentido.
Muitas imagens vão para além do que ficou gravado no cartão de memória da máquina. São "leituras" privadas. Quando muito perceptíveis em duo. Mas eu gosto. Gosto principalmente de recuar cinco ou seis meses, ou anos mesmo, e ver por onde andava a minha cabeça na altura. De recordar os momentos associados a textos de 30 linhas ou a frases isoladas.
E gosto de pensar que isso me faz evoluir qualquer coisa. Porque sou mais calma na escrita. Mais controlada e ponderada. Do turbilhão que é o meu pensamento consigo retirar uma ou duas ideias-chave que me guiam enquanto vou escrevendo. E sabe-me bem. Por vezes como válvula de escape para onde posso canalizar ansiedade. Alivia-me.
Quando leio blogues alheiros não deixo de me questionar acerca da motivação dos proprietários. Alguns são muito pessoais. Outros parecem ser levezinhos, sem grandes floreados e pouco propícios a grandes divagações. Outros ainda são escritos de tal forma que não se consegue bem perceber o que é realidade ou ficção.
E foi num desses que me perdi hoje de manhãzinha.
Um blogue que não visitava há meses por achar que estava em "banho-maria".
A escrita é directa e visceral.
Será coragem ou literatura pura?
domingo, setembro 26, 2010
quinta-feira, setembro 23, 2010
Raiva, Lda.
Ainda hoje consigo sentir o cheiro da casca dos pinheiros a arder nos moinhos alinhados simetricamente. O som mecânico do seu movimento regular. Vejo a poeira fininha no ar; sinto-a a enfiar-se pelo nariz e a pousar no cabelo. Consigo ver o barro a passar pelo molde e a ser cortado na fieira. Sem erros nos dias bons. Vejo as vagonas a serem preenchidas por mãos calejadas e a lenta procissão até aos fornos: primeiro os artesanais e depois o forno túnel. O barro a mudar de cor. O cheiro indescritível quando saía do forno, quente, cozido, pronto a carregar.
Recordo as épocas de crise; de falta de dinheiro ou de encomendas. Recordo ainda as épocas de excesso de procura e a dificuldade de produzir em quantidade.
As dores de cabeça cada vez que uma fornada de tijolo saía empenada ou demasiado cozida.
30X20X12; 30X20X15, tijolo burro; refugo; garrafeira.
Eu também cresci ali. Também vivi aquela realidade. Aqueles cheiros e momentos também me fizeram o que sou.
No que depender de mim acabou-se a palhaçada.
quarta-feira, setembro 22, 2010
Das evoluções que não o são
Convenço-me que cresci. Que sou adulta e inteira.
Mas continuo a não saber lidar com o desapontamento.
Continuo a não saber o que fazer quando me retiram momentos que também deviam ser meus.
Mas continuo a não saber lidar com o desapontamento.
Continuo a não saber o que fazer quando me retiram momentos que também deviam ser meus.
domingo, setembro 19, 2010
domingo, setembro 12, 2010
Battle for the sun
Depois de lhes ter perdido o rasto por uns tempos, pondero o reencontro a 7 de Outubro no Coliseu.
quinta-feira, setembro 09, 2010
Metafísica e Complexidade
Vaidade - Florbela Espanca
Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!
Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...
E não sou nada!...
Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!
Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...
E não sou nada!...
A propósito do sentimento desconcertante de inveja daqueles que crêem num plano superior. Numa ordem divina onde tudo faz sentido ou acontece por uma razão.
segunda-feira, setembro 06, 2010
Normal
"Vani deitada olhando pro tecto:
Eu sou uma mulher normal: passo metade do tempo pensando merda. Agora por exemplo, eu tô pensando se eu devia ter dito uma coisa que eu disse, ou se era melhor não ter dito, ou ter dito de outra maneira, dizendo sem precisar dizer."
in: Os melhores momentos de "Os Normais" - Alexandre Borges


