Raiva, Lda.
Ainda hoje consigo sentir o cheiro da casca dos pinheiros a arder nos moinhos alinhados simetricamente. O som mecânico do seu movimento regular. Vejo a poeira fininha no ar; sinto-a a enfiar-se pelo nariz e a pousar no cabelo. Consigo ver o barro a passar pelo molde e a ser cortado na fieira. Sem erros nos dias bons. Vejo as vagonas a serem preenchidas por mãos calejadas e a lenta procissão até aos fornos: primeiro os artesanais e depois o forno túnel. O barro a mudar de cor. O cheiro indescritível quando saía do forno, quente, cozido, pronto a carregar.
Recordo as épocas de crise; de falta de dinheiro ou de encomendas. Recordo ainda as épocas de excesso de procura e a dificuldade de produzir em quantidade.
As dores de cabeça cada vez que uma fornada de tijolo saía empenada ou demasiado cozida.
30X20X12; 30X20X15, tijolo burro; refugo; garrafeira.
Eu também cresci ali. Também vivi aquela realidade. Aqueles cheiros e momentos também me fizeram o que sou.
No que depender de mim acabou-se a palhaçada.

2 Comentários:
gostei muito. dispensava a frase final. :) beijo
já te disse que gostei muito? :)
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