Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Sentava-se de lado no sofá, virada para a rua. Se fosse Inverno cobria as pernas com a manta. No Verão apenas se encostava à almofada ou ao braço desconfortável do sofá. Apagava as luzes da sala: o candeeiro de pé e as luzes do tecto. Acendia as duas velas pequeninas que desde sempre ocupam o lado direito do aparador. Raramente deixava a tv ligada. Limitava-se a ficar ali a olhar para a rua por entre as frechas do estore semi-aberto. Via os carros a passar. As pessoas a entrarem nos prédios. As horas a arrastar-se. Os minutos. Os segundos.
Ao final da noite deixava que as lágrimas lhe corressem pela rosto em silêncio. Uma após a outra. Salgadas. Amargas. E calava fundo a dor que sentia por mais uma noite sem surpresas.

Hoje é quinta-feira.
Uma quinta-feira com sabor igual a outros dias de outras semanas.

19/11/2009


Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Peso sulle spalle

Ogni tanto la paura delle scelte sbagliate...passate, presenti e future.

Debolezza o testardaggine?

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Stanotte ho fatto un sogno


Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Há mais ou menos 70 anos era assim.

Entretanto houve casamentos, filhos, netos, bisnetos, viagens e ausências, regressos, vidas reconstruídas, ensinamentos que foram passando de geração em geração, histórias de juventude contadas de sorriso nos lábios. Houve acima de tudo, amor incondicional.
Os bisavós Antonieta e João. A Nã, o Tó, a Jatita, o meu avô A..
Desde ontem, resta apenas a Nã. A mais velha dos quatro irmãos.

Cada um que parte leva mais um bocadinho do meu avô.
Permanece o orgulho e a saudade.

Terça-feira, Novembro 10, 2009

4ª Mostra de Cinema Brasileiro



Sábado no São Jorge - e depois de ter falhado a edição de 2008 - voltei a deliciar-me com cinema brasileiro, na companhia da Princesa.
Não conhecia o trabalho do realizador Domingos de Oliveira ( que protagoniza os dois filmes) mas apesar da dificuldade na compreensão de algumas palavras e mesmo frases ( dicção cerrada, por vezes quase impossível de descortinar) gostei dos diferentes traços de sensibilidade de cada um.
O primeiro, Separações, retrata de uma forma que muitas vezes roça a comédia, a dicotomia de sentimentos da dinâmica nas relações. A loucura/desespero de alguém que pede "uma folga" para se aperceber mais tarde da asneira que fez.
As consequências que cada decisão tem na vida. Na nossa e na dos outros.
Memorizei uma frase que seria qualquer coisa como isto: " Se os ex-amantes não ficarem amigos, nada fará sentido".
A Juventude é um filme mais pesado. O reencontro de 3 amigos, jovens de espírito, que fazem uma espécie de balanço de vida. O que fizeram e o que fariam diferente. A hipocrisia masculina - que se pode dizer também sentido prático - patente numa das cenas finais: António tem um ataque cardíaco; enquanto recupera, avisa aos amigos: "se eu morrer diz p´ra Pink que ela foi a mulher da minha vida... se sobreviver liga pra Eugénia e diz que vou precisar de quem trate de mim".
A frase que mais gostei: "Acreditei e acredito até hoje que quando os corpos dos amantes se unem, a terra treme."

Fica o trailer do Juventude e um excerto do Separações.

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Everything you Know is wrong

Música perfeita para ouvir com o som no máximo, sem grande luz ou com os olhos fechados. Gritar a letra e abandonar o corpo a movimentos aleatórios. Aproveitando ao máximo o arrepio bom que vai percorrendo o corpo. Como fiz ontem mal cheguei a casa.


" And I have no compass
And I have no map
And I have no reasons
No reasons to get back

And I have no religion
And I don't Know what's what
And I don't Know the limit
The limit of what we've got"

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Kings of Convenience


Ou como descobrir um projecto fantástico num concerto fabuloso!
Uma capacidade incrível de interacção com o público.
Uma sonoridade cristalina. Duas guitarras acústicas afinadíssimas. Vozes melodiosas e um violino arrebatador.
Candidato a melhor concerto do ano?

Na melhor companhia.
Thanks Angie.

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Os Tudors

Todos os dias no Mov, a partir das 21:00.
Quarenta minutos de puro prazer.

Domingo, Novembro 01, 2009

Politicamente Incorrecto #1#

Quantas vezes já não nos questionámos acerca da aparente benevolência com que alguns juízes tratam a reincidência. Questionamos quase sempre o motivo por trás da compreensão para com determinados indivíduos. Invariavelmente, para quem é jurista como eu, vêm à ideia os ensinamentos académicos da necessidade de ponderação dos interesses em causa. Em regra, acabamos por achar quase tudo inquadrável na lógica da necessária proporcionalidade, razoabilidade e aceitabilidade que nos ensinaram a defender.
Mas depois, na nossa vida pessoal, podemos ser confrontados com um outro tipo de reincidência: "a reincidência nas asneiras". Seja ela activa ou passiva. E aí já nos é permitido chegar a um outro tipo de conclusão. E aceitar que determinados indivíduos jamais serão capazes do menor esforço pela via da "reabilitação".
Deixa de fazer sentido qualquer esforço mental para "colar a cuspo" os ditos ensinamentos académicos, tão lógicos e evidentes numa perspectiva meramente jurídica, mas notoriamente inconcebíveis e incredíveis em matéria de reincidência nas asneiras.
É que há quem denote manifesta incapacidade de arrepiar caminho: a tendência está-lhes no sangue.

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Das constatações que não são surpresa...

... esta é talvez mais dolorosa do que qualquer outra . Porque me faz recuar a tempos que conscientemente quero apagar. Ao contrário do que me disseram há dias, não era preciso aquilo para crescer. Não tinha que ter abdicado de tanta coisa e suportado tanta merda.
Terei que repetir para avançar? Ou terei aprendido a gostar um bocadinho de mim?

Terça-feira, Outubro 06, 2009

Get on Stage!

Há muito que não me surpreendia assim num concerto.
Cheguei sem expectativas e saí rendida.
Au Revoir Simone, ontem na Aula Magna.

Cheri

De que servirá o conhecimento se não se sabe o que fazer com ele?

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Do cansaço.

Que não é físico, não resulta das horas de trabalho nem da falta de descanso.
Que retira qualquer força e me deixa sem palavras.

Quarta-feira, Setembro 23, 2009

Rush of blood

A Sofia não era já ou estava prestes a deixar de ser estudante, por isso, aquele noite terá acontecido há cerca de 6 anos. O telemóvel estava invariavelmente em modo silencioso, o que não impedia que aquilo de que fugia se lhe colasse às costas. Talvez por isso fez o caminho de volta do clube de video a olhar para trás. O passo era acelerado. Diametralmente oposto à duração que desejava para aquele momento. No peito o coração galopava a dois compassos: o do medo e o do deslumbramento.
Chegou à porta de casa e não teve que erguer os olhos para a janela de portadas brancas da outra casa onde gostava de se sentar.
Sozinha na rua insistia mecanicamente nos mesmos argumentos. Dentro de si já nada significavam. Eram palavras ocas. Desprovidas de qualquer sentimento que não a mais pura indiferença.
Subiu ao quarto e fechou a porta. Pousou o telefone. Esqueceu a conversa e esperou o abraço que tardaria a chegar.
Terá vindo no tempo certo?