Untitled #3#
Ando nesta coisa dos blogues já há quase 5 anos.
Começou por ser uma coisa partilhada com amigas mas aos poucos fui ficando "sozinha". "Apropriei-me" do blogue inicial à medida que o fui tornando uma espécie de diário encriptado, cheio de mensagens camufladas que só eu percebia (alguns dos posts chegam a ser, hoje em dia, verdadeiros enigmas para mim).
Criei o Glowing talvez por capricho de filha única, que não sabe dividir. Mas fez sentido e acho que continua a fazer.
Dá-me gozo escrever assim ainda que grande parte do que escrevo (aparentemente) não faça sentido.
Muitas imagens vão para além do que ficou gravado no cartão de memória da máquina. São "leituras" privadas. Quando muito perceptíveis em duo. Mas eu gosto. Gosto principalmente de recuar cinco ou seis meses, ou anos mesmo, e ver por onde andava a minha cabeça na altura. De recordar os momentos associados a textos de 30 linhas ou a frases isoladas.
Começou por ser uma coisa partilhada com amigas mas aos poucos fui ficando "sozinha". "Apropriei-me" do blogue inicial à medida que o fui tornando uma espécie de diário encriptado, cheio de mensagens camufladas que só eu percebia (alguns dos posts chegam a ser, hoje em dia, verdadeiros enigmas para mim).
Criei o Glowing talvez por capricho de filha única, que não sabe dividir. Mas fez sentido e acho que continua a fazer.
Dá-me gozo escrever assim ainda que grande parte do que escrevo (aparentemente) não faça sentido.
Muitas imagens vão para além do que ficou gravado no cartão de memória da máquina. São "leituras" privadas. Quando muito perceptíveis em duo. Mas eu gosto. Gosto principalmente de recuar cinco ou seis meses, ou anos mesmo, e ver por onde andava a minha cabeça na altura. De recordar os momentos associados a textos de 30 linhas ou a frases isoladas.
E gosto de pensar que isso me faz evoluir qualquer coisa. Porque sou mais calma na escrita. Mais controlada e ponderada. Do turbilhão que é o meu pensamento consigo retirar uma ou duas ideias-chave que me guiam enquanto vou escrevendo. E sabe-me bem. Por vezes como válvula de escape para onde posso canalizar ansiedade. Alivia-me.
Quando leio blogues alheiros não deixo de me questionar acerca da motivação dos proprietários. Alguns são muito pessoais. Outros parecem ser levezinhos, sem grandes floreados e pouco propícios a grandes divagações. Outros ainda são escritos de tal forma que não se consegue bem perceber o que é realidade ou ficção.
E foi num desses que me perdi hoje de manhãzinha.
Um blogue que não visitava há meses por achar que estava em "banho-maria".
A escrita é directa e visceral.
Será coragem ou literatura pura?

4 Comentários:
São tão complexas as motivações do comportamento humano. Ser filha única não transparece em nada do que escreve. Sou filha única. Tenho o sufoco da responsabilidade dos meus pais que envenhecem longe do local onde vivo, a inveja da partilha que vejo naqueles que telefonam à família para pedir o básico, as tias e os primos que também não tenho. Mas para isso arranjei outras famílias, emprestadas.
Nunca fiz um blogue mas escrevo em papel e também gosto de ver onde andava a minha cabeça há uns anos atrás.E securizar-me com a evolução ou com a relatividade das dores.
Nos blogues é dimensão da exposição que me assusta.O público. Não preciso que público para as minhas dores nem alegrias e fico a pensar como se sente como por exemplo, uma desconhecida como eu, comenta o que escreve. Não sente isso como uma invasão aoseu espaço privado? Ou um blogue não é um espaço privado é apenas "pura literatura"?
Laura C.
:) Talvez eu não tenha tido a educação típica de uma filha única e por isso nem sempre transpareça que o sou. Mas reconheço em mim alguns "tiques" que, em certas ocasiões, me podem denunciar...
Quanto às famílias emprestadas, também as arranjei (gosto mais de pensar que foram elas que me acolheram) e sem elas tudo seria bem mais difícil.
Já quanto à eventual invasão de privacidade, confesso que hoje em dia me vou preocupando mais com isso do que há uns tempos atrás. No entanto, não me incomoda que venha aqui e leia como me sinto. Isso só lhe dará uma pálida ideia de quem sou. :) Acho que o mais intímo permanece apenas meu. Mesmo que o blogue dê muitas pistas (lineares? nem sempre).
Sabe... Laura... há algo na sua linguagem que me é estranhamente familiar...
CB
Familiar é a atitude perante a vida. As referencias culturais, a geração, a vida urbana recheiam o conteúdo, dão forma à linguagem. Só isso. O mais intímo daquilo que poderia ser o meu comentário náo o faço pois pertence à rota da minha própria vida seja por defesas ocultas ou adaptação à realidade. Parei naquele post pela data e pelo título. Foi o post que me fez escrever e é o que me faz voltar ao seu blog. Mas também a ideia curativa de que posso atenuar a ansiedade que tanto a consome porque passei por períodos tão semelhantes e sinto que fiquei mais forte :) Todos temos um pouco de médicos (e de loucos) não é?
Laura C.
CB
Subi mais um degrau da escada da minha vida e deixei de ser Laura C.
Mas como tudo na vida tem o seu lado bom encontrar o teu blog foi bom.
resolvi escrever um livro sobre o luto amoroso, o amor e a vida rentabilizando a minha experiencia de vida e a minha formação académica e profissional em psicologia clinica. Foi o teu texto sobre o luto que me motivou. Achei muito interessante . Um livro em que vou integrar os contributos das minhas amigas porque fiz, a determinada altura da minha vida fiz jantares mensais de divorciadas para ajudar uma amiga- tipo grupo terapeutico- sendo eu, nessa altura, a unica casada e bem casada. Gostava de integrar o teu contributo no livro. Posso colocar o texto do blog, certo? o meu mail é luisaagosto2010@hotmail.com se quiseres saber mais
beijo
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