quinta-feira, novembro 19, 2009

Sentava-se de lado no sofá, virada para a rua. Se fosse Inverno cobria as pernas com a manta. No Verão apenas se encostava à almofada ou ao braço desconfortável do sofá. Apagava as luzes da sala: o candeeiro de pé e as luzes do tecto. Acendia as duas velas pequeninas que desde sempre ocupam o lado direito do aparador. Raramente deixava a tv ligada. Limitava-se a ficar ali a olhar para a rua por entre as frechas do estore semi-aberto. Via os carros a passar. As pessoas a entrarem nos prédios. As horas a arrastar-se. Os minutos. Os segundos.
Ao final da noite deixava que as lágrimas lhe corressem pela rosto em silêncio. Uma após a outra. Salgadas. Amargas. E calava fundo a dor que sentia por mais uma noite sem surpresas.

Hoje é quinta-feira.
Uma quinta-feira com sabor igual a outros dias de outras semanas.

1 Comentários:

Blogger Cristina Ançã disse...

Espero que, pelo menos, o fim-de-semana tenha sido salvo pelo que era suposto ter acontecido na quinta!

8:41 p.m.  

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