I'll be around.
Se recuar no tempo mais ou menos cinco anos, recordo um final de noite num sofá do passado e o "Irreversível" no leitor de DVD. Sei que me levantei num pulo, surpreendida com a violência daquele ataque de pânico em particular. Há largos meses que os intervalos entre cada um vinham a diminuir. Corri para a casa-de-banho e, como de costume, molhei a cara, olhei de frente para o espelho e tentei respirar fundo. Nesse momento, peguei no telefone e pedi ajuda.
Lembro-me de, dias depois, entrar naquele pequeno espaço sóbrio, com móveis escuros e uma janela entreaberta. Ainda não tinham acabado de me fazer a primeira pergunta, já as lágrimas corriam cara abaixo. Meia hora depois, um breve telefonema.
No espaço de minutos a porta abriu-se e entrou um homem alto, imponente, cabelo grisalho e postura aterrorizadoramente segura. Encolhi-me o mais que consegui. Dei por mim a gravar na memória pormenores como as letras azuis bordadas com letra de escola primária, que sobressaíam em todo aquele tecido branco. Fixei o sorriso provocador e as abordagens incisivas e dolorosas.
Demorei tempo a perceber o porquê do alívio cada vez que voltava. E fui voltando. Mesmo quando sabia que de alguma forma, não o devia fazer.
Mas há pessoas que ganham um passe de livre trânsito pelos nossos pensamentos, desejos, frustrações, angústias, curiosidades ou medos. Mesmo quando nos esfregam na cara aquilo que de pior temos... (talvez porque dessa forma nos obrigam a ver e aceitar aquilo que somos...).
Imagine-se lá, que até nos fazem sentir orgulhosos por sermos assim! Com alguma consciência do desafio que isso representa, mas também com uma maior percepção da infinitude de opções que a vida oferece se não tivermos medo de a viver.
Pessoas assim, fazem-nos sentir um bocadinho especiais quando nos dão um bilhete de acesso - ainda que condicionado - a um pouco daquilo que são.
Dentro do possível ... amigos até ao fim?
Lembro-me de, dias depois, entrar naquele pequeno espaço sóbrio, com móveis escuros e uma janela entreaberta. Ainda não tinham acabado de me fazer a primeira pergunta, já as lágrimas corriam cara abaixo. Meia hora depois, um breve telefonema.
No espaço de minutos a porta abriu-se e entrou um homem alto, imponente, cabelo grisalho e postura aterrorizadoramente segura. Encolhi-me o mais que consegui. Dei por mim a gravar na memória pormenores como as letras azuis bordadas com letra de escola primária, que sobressaíam em todo aquele tecido branco. Fixei o sorriso provocador e as abordagens incisivas e dolorosas.
Demorei tempo a perceber o porquê do alívio cada vez que voltava. E fui voltando. Mesmo quando sabia que de alguma forma, não o devia fazer.
Mas há pessoas que ganham um passe de livre trânsito pelos nossos pensamentos, desejos, frustrações, angústias, curiosidades ou medos. Mesmo quando nos esfregam na cara aquilo que de pior temos... (talvez porque dessa forma nos obrigam a ver e aceitar aquilo que somos...).
Imagine-se lá, que até nos fazem sentir orgulhosos por sermos assim! Com alguma consciência do desafio que isso representa, mas também com uma maior percepção da infinitude de opções que a vida oferece se não tivermos medo de a viver.
Pessoas assim, fazem-nos sentir um bocadinho especiais quando nos dão um bilhete de acesso - ainda que condicionado - a um pouco daquilo que são.
Dentro do possível ... amigos até ao fim?

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