Há mais ou menos dois anos, escrevi isto. Estupidamente, com ligeiras adaptações, continua actual.
"Há muitos anos atrás, eu achava que a minha vida ia seguir um determinado rumo. Estava mesmo segura de que ia beneficiar de uma estabilidade que me acalmava. Para quem, como eu, tem alguma dificuldade em viver o momento sem sobressaltos, era uma perspectiva que me agradava. A vida foi-me ensinando que não seria assim. (...) Fui educada para um sentido de perfeccionismo que dificulta a aceitação dos erros mais insignificantes. Que torna os fracassos muito dificeis de digerir. Neste momento, por mais que me esforce e tente valorizar as coisas boas que tenho na vida, não consigo evitar uma certa insatisfação. Sinto que podia ser e fazer melhor. Ser mais zelosa com o trabalho, estar mais presente para a família e para os amigos. Cuidar mais de mim e dos meus sonhos. Não deixar que coisas sem importância me deitem abaixo. Perceber o que quero fazer realmente e ir atrás. Decidir se efectivamente quero ou não continuar a trabalhar nisto. Perceber de uma vez se fui talhada para isto ou não. Ajudava muito ter um feitio que permitisse mais facilidade em tomar decisões. Que não tenho. Consigo arrastar-me tempos infinitos até me decidir finalmente. O que não significa necessariamente que as decisões que tomo sejam muito pensadas. E neste momento, o que mais me incomoda nem é tanto isto, mas sim a forma como ando a viver e a exteriorizar esta fase da minha vida em particular: como se não houvesse amanhã e o mundo me fugisse debaixo dos pés."

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