Há uns meses, por causa do aumento do volume de trabalho e da minha cada vez maior dificuldade em delegar trabalho no estagiário adstrito ao meu departamento, recrutámos uma nova estagiária. Detestei as entrevistas. Em regra limitei-me a observar ou a solicitar algum esclarecimento em relação ao cv e à experiência profissional. Apareceu de tudo: gente com vontade de trabalhar, gente com pouca experiência, gente já batida nestas lides e até um rapaz sem um braço, a quem a minha colega, inconvenientemente, disse: "precisamos de duas mãos para trabalhar de imediato"...
Ao fim de umas semanas lá nos decidimos por uma rapariga de 24 anos, acabada de sair da faculdade e cheia de vontade de entrar no CEJ assim que a idade lho permita. Tanto eu como a minha colega de departamento saímos da entrevista com muito boa impressão: miúda decidida, sabe o que quer, boa postura...
Lá começou a trabalhar: primeiro passei-lhe as minutas daquilo que podia ser feito a partir de minutas; depois expliquei-lhe o que havia para explicar da relação com os clientes mais importantes e de como funciona a equipa. Entreguei-lhe uns quantos processos para que os analisasse de fio-a-pavio e lhes desse andamento. Primeiras perguntas disparatadas: ok, nunca trabalhou e nunca mexeu nisto. Primeiros e-mails corrigidos: não sabe escrever... nice! Últimas tentativas: tarefas básicas de arquivo... tudo trocado.
Com isto, os meses foram passando e eu dei por mim a desistir dela. A não ter paciência para as perguntas repetidas e sem jeito nenhum e para o olhar vago, a preferir fazer directamente as coisas do que passar-lhas e ter que as rever depois. Não aconteceu só comigo. Invariavelmente, todo o trabalho que alguém lhe pedia ainda que devidamente explicado, vinha mal feito, ininteligível muitas das vezes.
Foi um notório erro de casting...
Não é difícil trabalhar comigo: tolero a preguiça, o empurrar com a barriga, o deixar para o último dia do prazo... mas, não suporto a burrice: irrita-me e torna-me impaciente. Passei pura e simplesmente a não contar com ela e a não lhe passar trabalho. Até que o boss perguntou qual o contributo dela para a equipa e a responsável- que não pode assobiar para o lado como todos nós andávamos a fazer-, respondeu: a opinião geral é má! Não serve.
Não é difícil trabalhar comigo: tolero a preguiça, o empurrar com a barriga, o deixar para o último dia do prazo... mas, não suporto a burrice: irrita-me e torna-me impaciente. Passei pura e simplesmente a não contar com ela e a não lhe passar trabalho. Até que o boss perguntou qual o contributo dela para a equipa e a responsável- que não pode assobiar para o lado como todos nós andávamos a fazer-, respondeu: a opinião geral é má! Não serve.
E pronto, hoje ao final da tarde, iniciei-me na bela tarefa que é ajudar a dizer alguém que não tem o perfil certo para isto (logo eu...); que não é pessoal mas não está a funcionar e todo um sem número de lugares comuns.
Ela fez a cama onde se está a deitar... mas não deixou de me custar horrores.
PS - À falta de dramas pessoais, deleito-me agora com os profissionais...

0 Comentários:
Enviar um comentário
Subscrever Enviar feedback [Atom]
<< Página inicial