Dias farruscos
Vivo numa zona muito ventosa. Seja Verão ou Inverno, há dias em que parece que vai tudo pelos ares. A madrugada de hoje foi especialmente animada com o estendal da roupa a bater nas grades da varanda e uns quantos vasos a dançar ao sabor da ventania. Sabe-me bem estar deitada nestes momentos. Sinto-me pequenina mas de alguma forma protegida.
Ontem, depois de um duche rápido e de uma vista de olhos à estante do escritório para escolher a companhia de cabeceira nos próximos dias, fiz um chá e deitei-me. Li apenas meia dúzia de páginas de um livro antigo, da época em que devorava Brumas de Avalon e afins e me deixava levar pelas lendas da Britânia Antiga. Antes de adormecer ainda dei umas quantas voltas na cama mas, comparando com algumas noites, posso dizer que foi um adormecer fácil.
O corpo pedia-me, especialmente, algum aconchego. Encontrei-o apenas já quase de manhã, enroscada no edredon de penas, o nariz a espreitar de entre os lençois brancos e as primeiras cores do dia a entrar pela janela da casa-de-banho, enquanto lá fora a chuva caía em pingos grossos.
Hoje teria sido um grande dia de ronha.

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