quinta-feira, abril 26, 2012

No portão de entrada da minha escolha primária, antes das obras que a tornaram no complexo que é hoje e que já pouco me diz, havia uma roseira enorme como esta da foto. As rosas eram pequeninas e absolutamente perfeitas. O cheiro inesquecível.
Nos intervalos das aulas costumávamos enfiar-nos debaixo do arco que a roseira formava. Ali ficávamos a brincar até a Menina Fernanda gritar da porta da sala de aulas: "Entrar 2ª Classe!!!".
E lá íamos nós, os rapazes transpirados das correrias e dos jogos de bola e as raparigas com rosas no cabelo e as cordas de saltar ou os elásticos nas mãos.
O Professor era jovem, exigente e muito nosso amigo. Acompanhou-nos quatro anos e fez um óptimo trabalho.
Os nossos pais eram todos jovens e os grandes heróis da nossa vida. Intocáveis e imortais. Capazes de resolver todas as dificuldades e de dar respostas a toda  e qualquer questão prática ou metafísica.
Ontem amparei uma amiga que se despediu do pai. Um destes heróis que conhecia desde que me lembro de ser gente. Um amigo do meu pai. Não imagino a dor. Não quero sequer pensar nisso.
Sei apenas que me senti terrivelmente adulta.

1 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Suspiro...e a vontade de acreditar que é sempre possível superar, acreditar que amanhã será melhor, saber aceitar o que recebemos, lutar pelo que queremos, defender quem somos, quem queremos e o que cremos...sermos nós!sermos...

5:28 p.m.  

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