Trabalho com uma pessoa que tem por hábito almoçar à secretária. E isto seria perfeitamente tranquilo se ela tivesse um gabinete só para ela ou se não tivessemos uma copa para o efeito.
Acontece que trabalhamos em openspace pelo que este momento é forçosamente partilhado.
A dita colega é um bicho de hábitos. Invariavelmente às 12 e 30h desce à copa, aquece a comida no microondas, tira um café e regressa à secretária. Ora como é fácil de perceber, mal abre a marmita o departamento é invadido pelo cheiro maravilhoso das refeições com as quais se deleita. Hoje o menu é peixinho. Salmão se não me falham os sentidos. Acompanhado por bróculos cozidos. Anda de dieta. Dieta essa acompanhada por massagens semanais a meio do dia aqui num spa perto (este facto é de conhecimento público porque as ditas são marcadas na agenda geral do departamento, não vá a cabeça falhar-lhe e esquecer-se de tão importante "prazo").
Esta é a mesma senhora que supostamente exerce funções de coordenação aqui da malta. A que ganha mais do que todos nós. Que fala ao telefone enquanto almoça, de boca cheia. Que deixa nódoas de gordura nas notificações. Que palita os dentes com os dedos à frente de quem for preciso. Mas que num rasgo de incoerência próprio dos tolos, é capaz de nos dar grandes palestras acerca do comportamento que devemos ter no local de trabalho.
Eu que até nutro uma certa simpatia pela senhora, fico parva com esta falta de tudo.
E acentua-se o sentimento de pena que me assolou no sábado, quando vi o olhar apaixonadissimo que ela deita ao marido que, muito provavelmente, não lhe retribui na mesma moeda.

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