Comentem vocês, se quiserem, que eu nem sei que diga...
Por causa das minhas frequentes cólicas renais, fui aconselhada a ir ao Hospital Egas Moniz para ser seguida em consultas de Urologia a ver se descubro que raio causa os malfadados cálculos. Já não é a primeira vez pois aquando da 5ª cólica também fui para lá reencaminhada. Assim como da 6ª, mas como a experiência anterior não tinha sido das melhores e tinha acabado por preencher aquele livrinho verde por me terem marcado uma consulta para as 9 e me terem atendido às 13 e 15 sem sequer um bom dia, acabei por ir adiando a coisa.
Entretanto, deu-se a 7ª e depois de outras peripécias, e graças à minha L. lá consegui uma consulta para hoje.
Era para estar no Egas cerca de vinte minutos antes da hora da consulta que desta vez era às 9 e 30. E eu estava. Passaram as 10. Nada. As 11. Nada. Chegaram as 12, e depois de me ter dirigido ao mesmo guichet pelo menos 3 vezes, - o mesmo onde mal cheguei tive que pagar a taxa moderadora -, dirigi-me a uma enfermeira que andava fora e dentro dos gabinetes e perguntei pelo médico: " Ah, ainda não a chamou? Espere lá que eu vou ver dele."
Fiquei depois com a sensação que a minha consulta, como tinha sido marcada directamente pelo Hospital da urgência, seria a única que tinha naquele dia.
Entretanto, a enfermeira mandou-me entrar e esperar por ele. Demorou mais 5 minutos.
Entrou. Levantei-me, estendi a mão e dei-lhe os bons dias.
Tinha um sorriso aparvalhado e ao mesmo tempo ar de poucos amigos.
E depois foi o que se segue:
M. - Então não anda a ter cuidado consigo?
Eu. - Desculpe?
M. - Não tem cuidado consigo, foi o que disse.
Eu. - Importa-se de explicar?
M. - Bebe água?
Eu. - Bebo sim.
M. - Bebe 2 litros?
Eu. - Não sei quantificar com precisão. Antigamente sei que bebia 4 garrafinhas por dia, pelo que pelo menos mais do que um litro bebia de certeza. Mas mudei de escritório e agora o sistema é diferente...
M - Não tem casa de banho? Beba da torneira.
(...)
Eu. - E as pedras formam-se porquê?
M. - ... chama-se L., posso tratá-la por LL?
Eu. - Chamam-me sempre L.
M. Vai fazer estes exames ao sangue e à urina, uma tomografia e um rx. Chegou a ver a pedra?
Eu. - Está aqui dentro deste papelinho.
M- Vai para análise.
Nesta fase, calou-se e ficou a olhar para mim com o mesmo sorriso aparvalhado que tinha quando entrou.
Eu. - Diga?
M. Nada.
Eu. - Está tudo?
M. - Sim.
Eu. Posso ir então?
M. - Sim.
(...)
Talvez eu não consiga transmitir o quão surreal foi a consulta, mas a sensação que tive quando de lá saí foi, primeiro, que mais uma vez me calhou um médico chanfrado; e segundo, que estes senhores deviam era estudar um bocadinho de psicologia e boas maneiras...

4 Comentários:
assinasses outro papelinho verde...
Correndo o risco de parecer uma daquelas emigras irritantes: Isso se se passasse aqui havia de ser o bom e o bonito!!! Não quero com isto dizer que ""na frança é que é!!!" mas a legislação aqui ajuda muito os doentes em situações como essa. Por outro lado, é uma autêntica caça ás bruxas (sendo as bruxas os médicos) e acaba por pagar o justo pelo pecador.
O problema nestas situações e especialmente neste assunto, é mesmo a generalização... Mas não é admissível o tempo que se deixa um doente à espera para ter uma consulta. E não, nem sequer me refiro ás listas de espera. Como se resolve! Eu sei lá! Por onde se encontrar a ponta do novelo e por aí adiante. Falar é fácil...
Concluindo... Pode ser que no meio dessas aventuras e desventuras acabes por ter o teu problema resolvido mas eu, se tivessem sido os meus rins a esperar uma manhã com esse resultado, dirigia-me, juntamente com os meus e as minhas recordações de cólicas renais, a um gabinete privado. E aqui caímos noutra discussão mas... Se eu e os meus rins não conhecêssemos ninguém num hospital, primeiro dirigiamo-nos a esse dito gabinete e depois teríamos todo o tempo do mundo para entrar nessas conversas sem inquietações de cólicas. (até porque aí já poderíamos apimentar a coisa com os euros que foram gastos)
No meio disto tudo, o triste é que somos nós, com os nossos impostos, que pagamos o salário destes senhores.
E quanto mais não fosse, por esse motivo devia haver um bocadinho mais de respeito. Mas não, aparentemente, alguns destes senhores serão emissários divinos e consequentemente poderão dispensar-se de coisas tão comezinhas como essa do respeito.
Não sei como desta vez não fui novamente direita ao livro de reclamações. Não sei mesmo...
Sei que saí de lá a pensar: "e pronto, lá terei que marcar para o privado"...
è uma questão cultural. Ninguém se mexe. Como eu estavam dezenas de pessoas naquele serviço. Todas com olhares revoltados, mas ninguém piava.
Muitos certamente apenas porque não podem ($$$$...) ir ao privado, sujeitam-se a "comer" horas de seca, mal instalados e sem que lhes seja dada a minima satisfação.
E também é verdade que paga o justo pelo pecados, mas a verdade é que neste campo, há demasiados pecadores...
Sim.... Ninguém se mexe e há pessoas com a capacidade de empatia totalmente amputada a exercer as profissões erradas... Por isso, sempre que encontrei alguém que fazia a sua função com compaixão e humanidade, fiz questão de o referir e encorajar.
É, de facto, uma pena. Mas acabamos no mesmo... Privado.
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