Oito
Já não nascia uma menina na família há perto de 20 anos. Eu fui a primeira, seguida pelas "alentejanas" e finalmente, depois de cinco rapazes, veio ela. A última das netas.
Lembro-me vagamente de ter estacionado o carro no parque onde, muito provavelmente, 21 anos antes o meu pai tinha estacionado o Carocha para me ir conhecer.
Quando cheguei ao quarto a minha tia estava com um ar cansado e uma felicidade imensa estampada no rosto.
Encostada a ela, com um casaquinho de malha cor-de-rosa (óbvio!), estava uma boneca muito pequenina. Com um cabelo preto farto e espetado. Um sossego que só visto.
Há bocado liguei à boneca para lhe dar os parabéns: "Ó prima! Já faço oito! Não tarda nada faço 10!".
A M.R..
Diz quem nos conhece às duas que a rebiteza também lhe calhou nos genes.

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