O N.
Hoje perguntaram-me se às vezes não sinto falta de um abraço.
A propósito disso e também porque este fim-de-semana alguém me falou dele, lembrei-me do meu primeiro namorado.
Quer dizer, eu só tinha 12 anos, será que conta?
Vou assumir que sim, afinal a coisa durou quase um ano.
O N. tinha ( e tem ainda hoje) uns olhos azuis lindos, uma paixão assolapada por raparigas e uma mágoa enorme por ter perdido o pai aos 4 anos.
Naquela altura, era o playboy lá do sítio. Não me lembro do dia em que o conheci. Mas lembro-me perfeitamente dos bilhetinhos que me mandava. Das prendinhas que me dava. Dos blocos de folhas perfumadas que me foi oferecendo ao longo daquele ano.
Para o final daquele pseudo namoro (para verem o nível, da primeira vez que me deu um beijo, levou um estalo), eramos mais amigos do que outra coisa. Ficávamos horas a falar sentados no muro da Igreja. Tinha uma vida familiar complicada. Um padrasto absolutamente execrável, que tratava tanto o N. como a irmã, abaixo de cão.
Tudo isto apenas para chegar aqui: uma vez, no final de uma daquelas festarolas típicas, com direito a dançar um slowzinho bem meloso, deu-me um abraço e sussurou-me ao ouvido: "ter-te assim, é ter o Mundo nos braços".
Ora digam lá se o rapaz não era cheio de lábia?

2 Comentários:
O N. era um poeta.
E concordo contigo no que respeita á lábia :)
O mais engraçado, é que ele continua igual! :)
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