Saía da carruagem e acendia de imediato um cigarro que me acompanhava no caminho entre a plataforma da estação e a paragem de táxis. Naquele momento todo o cansaço da semana desaparecia miraculosamente e eu antecipava com gosto os dias que se seguiriam. O chegar a casa e tocar a campainha. A porta que se iria abrir e o abraço que me receberia. Os beijos infindáveis e a porta do quarto a fechar-se nas minhas costas. E era tudo natural e verdadeiro. Ou eu achava que era.
Ontem quando saí na estação apercebi-me de que há já muito tempo não pisava aquele lugar. Senti um desconforto quase próximo a um ataque de pânico. Senti-me deslocada. Ansiosa por abafar as memorias que me vinham em flashes. Senti a distância do que vivi ali. Quase como se tivesse sido noutra vida.

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