segunda-feira, abril 07, 2008

A.

Nos últimos dias tenho pensado muito no meu avô A..
É um luto inacabado. Uma saudade que por vezes parece sufocar. Lembro-me das expressões que utilizava e que dou por mim a repetir hoje em dia. Dou por mim presa ao espelho a procurar nas minhas feições, os traços da dele que já se perderam. Encontro-as no desenho dos meus lábios grossos, no nariz e nos olhos castanhos. Procuro nas fotografias antigas que fui recolhendo em casa dos meus avós e bisavós, reconstruir e reconhecer os momentos e lugares de que me costumava falar. Lembro-me da manhã em que ele partiu. De estar em Coimbra e receber o telefonema. Dos abraços que recebi naquele dia, das lágrimas desesperadas que chorei com a minha mãe. E da sensação de vazio que cada vez mais sinto quando regresso à casa que me viu crescer.
Tento imaginar a satisfação com que hoje olharia para mim e participaria na minha vida.
Essa é talvez a maior dor de todas; não poder partilhar com ele a alegria que vou sentindo.

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